Provas, vestibular, amizades, aparência, redes sociais, primeiras experiências. A adolescência tem muitos motivos para deixar qualquer pessoa ansiosa. E está tudo bem: a ansiedade é uma reação natural do corpo diante de situações importantes ou incertas.
A pergunta que muitos pais e adolescentes se fazem é outra: quando essa ansiedade deixa de ser esperada e passa a atrapalhar?
Este texto não tem a função de diagnosticar ninguém, mas pode ajudar a pensar.
A ansiedade esperada
Ficar nervoso antes de uma prova, perder o sono na véspera de uma apresentação ou se sentir inseguro em um grupo novo são experiências comuns. Em geral, essa ansiedade:
- está ligada a uma situação específica;
- passa depois que a situação acontece;
- não impede o adolescente de fazer o que precisa ou deseja fazer.
Quando a ansiedade merece atenção
Vale olhar com mais cuidado quando a ansiedade:
- aparece com frequência, mesmo sem um motivo claro;
- dura semanas ou meses;
- leva a evitar escola, amigos, festas, conversas ou atividades de que gostava;
- vem acompanhada de sintomas no corpo, como dor de barriga, dor de cabeça, tensão ou falta de ar, sem explicação médica;
- atrapalha o sono, a alimentação ou o rendimento escolar;
- gera muito sofrimento, mesmo que por fora pareça que está tudo bem.
Ansiedade social
Uma forma comum na adolescência é a ansiedade social: um medo intenso de ser julgado, de passar vergonha ou de ser observado. O adolescente pode evitar falar em sala, recusar convites, ter dificuldade de comer em público ou passar muito tempo pensando no que disse depois de uma conversa.
Isso é diferente de timidez. A timidez costuma diminuir com o tempo e a convivência. A ansiedade social tende a crescer quando a evitação aumenta.
Adolescentes autistas e ansiedade
Em adolescentes autistas, a ansiedade é frequente e pode aparecer de formas próprias, como mais necessidade de rotina, crises depois de dias muito exigentes ou resistência a mudanças. Nesses casos, compreender o contexto e as necessidades do adolescente é parte essencial do cuidado.
Como os pais podem ajudar
- Leve o sofrimento a sério, mesmo quando o motivo parecer pequeno para um adulto.
- Evite frases como "isso é bobagem" ou "é só não pensar nisso". Elas costumam aumentar a sensação de estar sozinho.
- Ouça mais do que aconselhe no primeiro momento.
- Cuidado com a evitação total. Proteger demais de tudo o que gera ansiedade pode, com o tempo, fazer o medo crescer.
- Cuide da rotina: sono, alimentação e tempo de tela fazem diferença.
Quando pedir ajuda
Se a ansiedade está limitando a vida do seu filho ou gerando muito sofrimento, procurar uma psicóloga pode ajudar. A psicoterapia oferece um espaço para o adolescente compreender como a ansiedade aparece na vida dele e encontrar novas formas de lidar com ela. Para os pais, a orientação de pais pode ajudar a pensar em como apoiar sem pressionar.
Se houver falas sobre se machucar ou não querer mais viver, procure ajuda imediatamente: 188 (CVV, 24 horas), 192 (SAMU) ou o serviço de saúde mais próximo.
As informações deste site possuem caráter informativo e não substituem avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.
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