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Roberta Melo psicólogaCRP 04/80395
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Meu filho não quer fazer terapia: o que os pais podem fazer

Roberta Melo, psicóloga ·

Você percebeu que seu filho não está bem, pensou que a psicoterapia poderia ajudar e, quando sugeriu, ouviu um "não" firme. Ou um "eu não sou louco". Ou simplesmente silêncio.

Essa situação é muito comum. A resistência do adolescente não significa que a terapia nunca vai acontecer, nem que você fez algo errado ao sugerir.

Por que tantos adolescentes resistem

Alguns motivos aparecem com frequência:

  • A ideia de que terapia é para quem "tem problema" ou "é louco".
  • A sensação de que a sugestão é uma crítica, como se os pais estivessem dizendo que há algo errado com ele.
  • Medo de não ter sigilo, de que tudo o que disser será contado aos pais.
  • Desconforto em falar de si com uma pessoa desconhecida.
  • Experiências anteriores ruins com terapia ou com outros profissionais.
  • Necessidade de autonomia. Na adolescência, decidir por conta própria é muito importante, e uma decisão imposta tende a gerar oposição.

O que costuma ajudar

Escolha um bom momento. Evite propor a terapia no meio de uma briga ou logo depois de uma situação difícil.

Fale de você e do que percebe. Em vez de "você precisa de terapia", algo como "tenho percebido que você anda mais cansado e isso me preocupa. Pensei que conversar com alguém de fora poderia ajudar."

Explique o que a terapia é, e o que não é. É um espaço dele, para falar do que quiser, com sigilo. Não é castigo, não é para "consertar" ninguém e não serve para os pais saberem tudo o que ele diz.

Ouça as objeções. Pergunte o que o incomoda na ideia. Às vezes, uma preocupação específica, como o sigilo ou o horário, pode ser resolvida.

Ofereça escolhas. Ele pode participar da escolha da profissional, conhecer como funciona antes de decidir ou combinar um número inicial de encontros para experimentar.

Dê tempo. Algumas sementes levam um tempo para germinar. Uma conversa respeitosa hoje pode abrir espaço para um "sim" mais adiante.

O que costuma atrapalhar

  • usar a terapia como ameaça ou castigo;
  • marcar a primeira sessão sem que ele saiba;
  • comparar com irmãos, primos ou amigos;
  • insistir no assunto todos os dias.

E se ele continuar não querendo?

Mesmo que o adolescente ainda não queira começar, os pais podem procurar ajuda para si. A orientação de pais é um espaço para compreender melhor o que está acontecendo, pensar em novas formas de se aproximar e cuidar da relação familiar. Muitas vezes, mudanças na forma de conversar em casa já fazem diferença.

Quando não esperar

Se o seu filho fala em se machucar, em não querer mais viver ou se coloca em situações de risco, não espere ele aceitar a terapia. Procure ajuda imediatamente: 188 (CVV, 24 horas), 192 (SAMU) ou o serviço de saúde mais próximo.

As informações deste site possuem caráter informativo e não substituem avaliação ou acompanhamento psicológico individualizado.

Quer conversar sobre o atendimento?

O primeiro contato é por mensagem de texto. Você pode escrever no seu tempo, sem precisar ligar.

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